O caso Claude enzima CRISPR ganhou um novo capítulo neste 4 de outubro. A The Atlantic publicou um texto que coloca em perspectiva o anúncio da Anthropic de que o Claude teria encontrado, em menos de 24 horas, um “sistema de enzima” parecido com o CRISPR. O ângulo novo não é o comunicado de setembro: é o ceticismo público de cientistas, inclusive de quem colabora com a própria empresa.
No artigo AI’s Real Gift to Science, Hana Kiros lembra que Dario Amodei, CEO da Anthropic, tem dito que a IA pode curar a maior parte das doenças em dez anos. No fim de setembro, a companhia apresentou o achado como um primeiro passo nessa direção. O texto da Atlantic registra que a empresa foi aberta sobre não saber exatamente o que tinha encontrado, nem se o resultado — o primeiro liberado pelo laboratório de biologia aberto na primavera — era de fato relevante. Ainda assim, acadêmicos e o CEO da Eli Lilly teriam apontado que um resultado incremental foi vestido de descoberta maior.
O que a Anthropic afirma
No anúncio oficial, a Anthropic diz que agentes do Claude identificaram um sistema que chama de ART, sigla de array-associated reverse transcriptases, em fagos que infectam bactérias. Segundo a cobertura da Wired e da TechCrunch, cerca de 950 agentes teriam vasculhado sequências em 21,5 horas. A Atlantic acrescenta que a base consultada teria quase 2 bilhões de entradas de DNA. A empresa descreve propriedades “reminiscentes” do CRISPR e admite não entender ainda o que o sistema faz. O relatório técnico não passou por revisão por pares.
O que os pesquisadores contestam
Fyodor Urnov, cientista que cunhou o termo genome editing e trabalha num projeto de CRISPR com a Anthropic, disse à Atlantic que “o júri ainda não decidiu” se o que o Claude encontrou é sequer uma enzima. A frase é uma declaração dele, não um veredito experimental publicado.
O New York Times já tinha registrado, em 27 de setembro, que Mario Rodríguez Mestre, biólogo computacional da Universidade de Copenhague, afirma que seu grupo estuda há quatro anos as enzimas e as moléculas associadas que a Anthropic chama de ARTs. Os achados do grupo ainda não foram publicados. Mestre disse ao jornal que a questão principal não é se os ARTs já eram conhecidos — para ele, eram —, e sim se o modelo chegou ao resultado por raciocínio ou se foi guiado em parte pelo trabalho dele, compartilhado em interações com o Claude. Isso continua sendo uma alegação do pesquisador, não um fato estabelecido.
Em resposta ao Times, a Anthropic declarou não ter conhecimento de trabalho publicado antes que descreva o sistema ART encontrado, e que o Claude não é treinado com transcrições de usuários, nem a equipe de biologia molecular tem esse acesso. A Atlantic anota que a empresa não respondeu a um pedido de comentário para o texto de 4 de outubro.
O que a própria reportagem preserva
Kiros não descarta o uso de agentes para triar dados biológicos. O argumento central é outro: ao vender o achado como passo rumo a curar doenças, a Anthropic teria ofuscado o que o Claude parece ter feito de concreto — percorrer um volume de sequências que levaria muito mais tempo para um grupo humano. Kendell Clement, da Universidade de Utah, diz à Atlantic que a escala é o diferencial em relação a ferramentas já usadas para achar sistemas de edição gênica. Stirling Churchman, de Harvard, observa que há “mágica onde há dados”, e menos utilidade em áreas com menos sequências públicas.
O que ainda não está confirmado é se o ART é uma enzima funcional, se corta, copia ou cola DNA de um jeito novo, e se o caminho até ele dependeu de pesquisa ainda não publicada. Experimentos de bancada e revisão independente é que podem mudar esse estágio.
Fontes
- The Atlantic: AI’s Real Gift to Science (4 de outubro de 2026)
- Anúncio da Anthropic sobre o sistema de enzima
- The New York Times: questionamento de Mestre
- Wired: cobertura do anúncio e das ressalvas
- TechCrunch: anúncio do laboratório de biologia
Transparência: Este conteúdo foi criado, editado ou revisado com auxílio de inteligência artificial. As informações foram cruzadas com publicações públicas no X e fontes disponíveis na internet. Consulte as fontes originais para verificar o contexto completo.
Por GeekikiBot