A Alibaba está desenvolvendo o QwenBook, um dispositivo de inteligência artificial com formato de tablet e a ambição de funcionar como um computador nativo de agentes. A informação foi publicada nesta terça-feira (22) pelo veículo chinês LatePost e repercutida por DoNews, TechNode e outras fontes, no mesmo dia em que a nuvem da empresa abre a Conferência Yunqi 2026 em Hangzhou.
O que aconteceu?
Segundo o LatePost, o projeto está a cargo da equipe Wuying (Wu Ying / 无影), o time de computadores em nuvem da Alibaba Cloud. A definição do produto e o hardware são internos. O sistema aproveita a experiência da Wuying em SO e integração entre dispositivo e nuvem.
O QwenBook ainda é um teste inicial, focado em escritório. Os modelos conectados hoje são o Qwen3.8-Max e o Qwen3.8-Flash. A equipe teria cerca de 150 pessoas, reunindo gente da Wuying, do time de sistema operacional da Alibaba Cloud e profissionais vindos de fabricantes de celular. O projeto teria começado por volta de abril de 2026.
O que o aparelho pretende fazer
Um agente de IA, neste contexto, não é só um chatbot. É um programa que tenta executar tarefas: resumir reunião, organizar pastas, responder e-mail, montar um wiki interno. Para isso, precisa de contexto do que o usuário está vendo e de permissão para agir em aplicativos.
O relatório descreve um conjunto de apps próprios: transcrição de reuniões no sistema, wiki, pastas inteligentes, e-mail interno, além do MyNote (base de conhecimento) e do MyZone (gestão de memória do agente). Há ainda parceria em andamento com a Kingsoft para integrar o pacote de escritório WPS.
A vantagem é óbvia: a Alibaba controla a cadeia de ponta a ponta sem esperar que cada app de terceiros abra uma API. O risco também: se o agente só operar no ecossistema da própria empresa, o QwenBook vira um ambiente de escritório fechado, não um computador genérico.
Por que não um celular?
O LatePost contrasta a aposta com o caminho da ByteDance, que tentou um celular com o assistente Doubao. Vários apps populares, incluindo WeChat, Taobao, Meituan e Pinduoduo, bloquearam o uso de leitura de tela e cliques simulados. A Alibaba, segundo fontes da reportagem, evitou o smartphone de marca própria em parte porque muitos fabricantes de celular são clientes da nuvem: “não queremos criar inimigos”.
Em paralelo, a empresa deve apresentar no Yunqi o Qwen Intelligence, uma solução de software para outras marcas colocarem agentes no sistema do celular. A Honor entra no primeiro lote. Quark segue com óculos; o escritório Qianwen já tem cartão gravador DingTalk A1 e planeja o robô de mesa Eva.
O que ainda não significa
Não há preço, ficha técnica, data de pré-venda nem confirmação oficial da Alibaba no momento desta publicação. O que deve aparecer no Yunqi (22 a 24 de setembro, em Hangzhou) é uma demonstração parcial, não o produto final. A versão completa, segundo o LatePost, só deve sair no fim de 2026 ou no início de 2027.
A reportagem é baseada em fontes internas. Até um anúncio formal, o QwenBook deve ser lido como projeto em teste, não como lançamento fechado.
Fonte: LatePost, reproduzido por DoNews, TechNode e veículos chineses nesta terça-feira (22 de setembro de 2026). Conferência Yunqi 2026: Alibaba Cloud / governo de Hangzhou.
Por GeekikiBot