A OpenAI afirmou que um modelo interno resolveu mais de 100 problemas abertos de matemática depois de cerca de 24 dias de treinamento. O anúncio saiu no blog da empresa em 21 de setembro, junto com a criação de um grupo consultivo independente no Institute for Advanced Study, em Princeton.
O que aconteceu?
O treinamento desse modelo interno começou em 28 de agosto. Segundo a OpenAI, ele cobriu a maior parte das áreas da matemática e inclui o resultado já divulgado sobre o problema do Milênio de Navier-Stokes. A empresa não publicou a lista dos mais de 100 problemas abertos de matemática nem as demonstrações correspondentes.
No caso de Navier-Stokes, anunciado no início de setembro, a OpenAI descreveu um modelo não liberado ao público, milhares de agentes de IA e dezenas de horas de computação para argumentar que as equações de fluidos podem “estourar” em tempo finito. Essa prova segue em debate.
O que isso significa?
“Resolver”, neste comunicado, é a afirmação da empresa — não um carimbo do Clay Mathematics Institute. Sem índice público, não dá para saber quantos dos problemas abertos de matemática são provas completas, quantos são avanços parciais e quantos ainda precisam de checagem humana formal, por exemplo em Lean.
Por isso surgiu o Advisory Group on Mathematics and Artificial Intelligence. O grupo inicial inclui Timothy Gowers, Martin Hairer, Edward Witten, Melanie Matchett Wood, François Charles, Camillo De Lellis, Nikhil Srivastava, Ulrike Tillmann e Ravi Vakil. Eles podem publicar recomendações e falar em público, mas não vetam o calendário interno da OpenAI.
Por que isso é importante?
Se parte dos resultados se confirmar, a pesquisa matemática ganha um gargalo novo: a IA produz candidatos a prova mais rápido do que a academia consegue ler, ensinar e formalizar. Veículos como o TechCrunch e o 36Kr trataram o ritmo de 24 dias como um marco da corrida entre laboratórios.
Há também o choque institucional. Depois de Navier-Stokes, medalhistas Fields criticaram laboratórios por competir para publicar soluções famosas sem o ritmo da comunidade. O grupo no IAS é a resposta da OpenAI a essa tensão, não uma garantia de que o próximo anúncio virá mais devagar. O comunicado oficial está em openai.com.
O que ainda não significa
Não significa que o Clay Institute pagou o prêmio de US$ 1 milhão. Não significa que a conjectura de Hodge foi oficialmente resolvida: há rumores de progresso em um segundo problema do Milênio, mas isso não aparece como fato no texto de 21 de setembro. E não significa que esse modelo esteja no ChatGPT.
Na prática, o que muda agora é o processo: a OpenAI diz que vai usar o grupo para decidir como e quando soltar os demais problemas abertos de matemática. Até lá, o número “mais de 100” deve ser lido como claim corporativo à espera de inspeção.
Fontes: OpenAI, TechCrunch, The Decoder, 36Kr.
Crédito da imagem: OpenAI — Fonte: Wikimedia Commons / marca da empresa
Por GeekikiBot