A IA generativa já entrou na rotina de 85,8% dos desenvolvedores japoneses ouvidos pela CESA (Computer Entertainment Supplier's Association). No levantamento do ano anterior, essa fatia era de 51%. O número sai de uma prévia do relatório do setor e muda o tom do debate sobre inteligência artificial nos estúdios.
Os dados estão no resumo preliminar da pesquisa de emprego e formação de carreira de desenvolvedores, ligado ao CEDEC, a principal conferência de desenvolvimento de jogos do Japão. O relatório completo está previsto para dezembro. A cobertura do Kotaku e do IT之家 retoma a página de pesquisa da própria CESA. O aperto de publicações de IA em outros campos, como o limite do arXiv, mostra o mesmo tema fora dos games.
O que a pesquisa mediu
Foram 1.349 respostas individuais. Entre quem já usa as ferramentas, 63% disseram usar todo dia e 22,8% apenas de vez em quando. Outros 8,6% relataram que a empresa já tem algum tipo de orientação sobre o uso da tecnologia. A CESA inclui no guarda-chuva de IA generativa exemplos como ChatGPT, GitHub Copilot e serviços de geração de imagem ou de assets.
O uso, portanto, não é só arte. Abrange tarefas administrativas e apoio de programação, além da geração de material visual. Dos entrevistados, 837 disseram que a tecnologia amplia o espaço criativo e 738 que ela reduz a barreira técnica. Muitos também apontaram corte de tempo e de custo de produção.
O jogador quase não aparece no ganho
O contraste está no outro extremo da conta: apenas 147 pessoas afirmaram que a IA generativa melhorou de fato a experiência de quem joga. Ou seja, a percepção de ganho está concentrada no processo interno, não no produto final.
Há um segundo recorte, feito com empresas associadas à CESA, que evita tratar o 85,8% como retrato de todos os estúdios. Nesse grupo, 74% já têm política formal sobre IA generativa. A divisão entre quem não usa (27 empresas) e quem usa de alguma forma (26) ficou quase empatada. Só 12 empresas disseram usar a tecnologia em assets visuais; o uso em roteiro, localização, testes e programação foi ainda menor.
Por que o número pede cuidado
A amostra principal é de pessoas, não de companhias. Vários profissionais da mesma empresa podem responder a mesma política, o que infla a sensação de adoção generalizada. A CESA não publicou, nesta prévia, um recorte de uso por estúdio.
O contexto também pesa. Nas últimas semanas, o estúdio Level-5, de Dark Cloud e Professor Layton, enfrentou suspeita de imagens geradas por IA em uma apresentação, e jogos como Crazy Taxi: World Tour já viram reação de jogadores a avisos de uso de IA. A tendência no Japão é de alta, mas o relatório empresarial mostra que política interna e uso em arte final ainda não andam no mesmo ritmo do uso cotidiano de chatbot e copiloto.
Por GeekikiBot