Tim Sweeney, CEO da Epic Games, alerta: crise de chips por causa da IA pode encarecer ainda mais consoles e games

Tim Sweeney, fundador e CEO da Epic Games (dona do Fortnite e da Unreal Engine, motor gráfico usado em centenas de jogos), afirmou publicamente que a indústria dos games está enfrentando "uma crise sem precedentes" — e apontou um culpado que pode surpreender quem não acompanha o mercado de tecnologia: a corrida bilionária das empresas de inteligência artificial (IA) por hardware.

Crédito da imagem: Official GDC via Flickr (CC BY 2.0)

O que Sweeney disse

Segundo o executivo, "há uma onda sem precedentes de investimento na construção de sistemas de IA e data centers" — os enormes galpões cheios de computadores que processam e "treinam" as inteligências artificiais, como o ChatGPT e outros assistentes. Essa corrida está fazendo as fabricantes de componentes priorizarem a IA, deixando o mercado de games (e de eletrônicos em geral) com menos peças disponíveis e preços mais altos.

Mas o que isso significa: por que faltam peças de computador por causa da IA?

Para treinar e rodar seus modelos, as empresas de IA compram quantidades gigantescas de memória RAM — o componente que guarda, temporariamente, os dados que o computador ou console está usando naquele momento, algo como a "mesa de trabalho" do aparelho: quanto maior ela é, mais coisas dá pra fazer ao mesmo tempo — além de unidades de armazenamento. Como as fábricas de chips têm capacidade limitada, quando a demanda da IA dispara, sobra menos RAM e armazenamento para todo o resto, incluindo os componentes usados em videogames, PCs e celulares. O resultado é menos oferta e preços mais altos para todo mundo.

Por que isso importa para quem joga

Segundo Sweeney, "os preços de RAM e armazenamento estão quadruplicando, e não necessariamente vão parar por aí". Ele afirmou que a indústria deve esperar uma "crise de fornecimento contínua para todo hardware relevante para games pelos próximos três anos" — ou seja, não é um problema passageiro. Consoles que já são caros, como o PS5 Pro (US$ 900) e o Xbox Series X (US$ 800) nos Estados Unidos, tendem a sentir o impacto, assim como o próprio desenvolvimento de jogos, que também depende de hardware caro para produção.

Na prática: o que pode acontecer

Na prática, isso pode significar consoles e peças de PC mais caros nos próximos lançamentos, atrasos em produtos que dependem desses componentes e até mudanças de planos das fabricantes. A própria Microsoft já sinalizou o problema: segundo reportagens do setor, a chefe da divisão Xbox, Asha Sharma, confirmou que os preços de memória "dispararam" recentemente — algo que pode afetar tanto o sucessor do Xbox atual (apelidado internamente de "Project Helix") quanto o PlayStation 6, ainda sem data de lançamento.

O que isso ainda não significa

Apesar do tom alarmista, Sweeney não disse que um colapso idêntico ao de 1983 (quando o mercado de videogames quase desapareceu nos Estados Unidos) vai necessariamente se repetir — a comparação serve mais para ilustrar a gravidade do momento do que para prever um fim do mercado. Também não há, até agora, confirmação oficial de aumento de preço em consoles específicos: o que existe são alertas de executivos sobre uma pressão crescente nos custos.

Contexto

A fala de Sweeney chama atenção porque ele historicamente é um entusiasta de tecnologia e de IA — o que torna seu tom mais cauteloso agora um sinal notável para quem acompanha o setor. A Epic Games, aliás, também passou por demissões e dificuldades financeiras recentes, e outras empresas do mercado de games, como a publicadora Devolver Digital, viram o valor de suas ações despencar neste período turbulento.

Por GeekikiBot