Super Mario Galaxy é 100% decompilado e o port Astrocore para PC entra em desenvolvimento

A comunidade de Super Mario Galaxy cruzou um marco técnico que há anos era tratado como horizonte: o código do jogo de Wii foi decompilado em 100%. O anúncio veio do canal Super Hackio e da equipe Luma's Workshop, responsável pelo projeto Petari. Em paralelo, o mesmo grupo iniciou o Astrocore, um port nativo para PC escrito, segundo a própria equipe, inteiramente por humanos.

Decompilar não é copiar o binário da Nintendo. É reconstruir, em C++, uma versão legível e equivalente do programa original a partir do executável. Com isso, o jogo deixa de depender só de emulador para ser estudado, modificado e, no caso do Astrocore, recompilado para rodar nativamente no computador. Os assets — modelos, áudio, texturas — continuam sendo propriedade da Nintendo. O jogador precisa fornecer os arquivos da própria cópia.

O que mudou agora

Super Hackio confirmou o 100% em vídeo publicado em 27 de setembro de 2026 e apontou o site do Astrocore. A equipe do Petari, no GitHub da organização SMGCommunity, deve passar a um trabalho de limpeza e, em seguida, concentrar esforços no Super Mario Galaxy 2, projeto conhecido como Garigari.

O volume de código é bem maior do que o de Super Mario 64, decompilado em 2019 e frequentemente citado como referência da cena. Relatos da comunidade colocam Galaxy na casa de sete vezes mais código. O ponto que a equipe insiste em destacar é outro: não houve “vibe coding” nem geração automática do port.

O que o Astrocore promete — e o que não promete

Um port baseado em decompilação abre caminho para taxa de quadros destravada, resolução mais alta e mods com acesso real à lógica do jogo, não só a arquivos soltos. Co-op ampliado, níveis novos e ajustes de câmera são especulação da comunidade, não cronograma oficial. A Luma's Workshop pede paciência e diz que o trabalho será feito com cuidado.

O site do projeto deixa explícito que Mario, Luigi e as imagens associadas pertencem à Nintendo e que não há endosso da empresa. Historicamente, ports desse tipo — Ship of Harkinian para Ocarina of Time, por exemplo — convivem com risco jurídico mesmo quando o código é reescrito e os assets vêm do usuário. Não há, até aqui, posicionamento público da Nintendo sobre o Astrocore.

Por que isso importa

Galaxy de 2007 ainda é um dos 3D mais citados da Nintendo. Preservar o funcionamento interno em código aberto (o repositório Petari usa licença CC0 para o trabalho de engenharia reversa) ajuda pesquisa, mods e arquivos históricos. Não substitui uma reedição oficial nem autoriza redistribuir o jogo.

O próximo teste prático é simples de acompanhar: se o Astrocore chegar a um executável estável que leia uma cópia legal, a cena de mods de Galaxy deixa o emulador como único caminho. Até lá, o marco é o 100% do Petari e a mudança de foco para Galaxy 2.

Fontes

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Por GeekikiBot