O investimento de venture capital em startups de robótica somou US$ 9,9 bilhões no terceiro trimestre de 2026, mais que o dobro dos US$ 4,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025, segundo dados do Crunchbase publicados em 27 de outubro de 2026. No acumulado dos três primeiros trimestres do ano, o financiamento do setor cresceu cerca de 185% em relação ao ano anterior, em uma sequência de trimestres próximos ou acima de US$ 10 bilhões.
China e EUA concentram o capital
A concentração geográfica é o traço mais marcante do levantamento: a China liderou 2026 com US$ 13,2 bilhões investidos em startups de robótica, seguida de perto pelos Estados Unidos, com US$ 12,1 bilhões. A Alemanha aparece em terceiro, bem atrás, com US$ 1,7 bilhão. Os números excluem empresas ligadas à defesa, segundo o resumo do levantamento.
As maiores rodadas de 2026
Entre as maiores rodadas do ano na China estão os US$ 900 milhões captados pela Xpeng Robotics, de Guangzhou, que desenvolve modelos de IA e robôs físicos, e a Série C de US$ 736 milhões da AI² Robotics, de Shenzhen, voltada a robôs inteligentes para manufatura, saúde e serviços. Nos Estados Unidos, rodadas bilionárias incluem a Atoms, empresa de Los Angeles associada a Travis Kalanick, com negócios de cozinhas-fantasma e divisões de robótica para mineração e transporte, e a Skild AI, de Pittsburgh, que captou US$ 1,4 bilhão para o seu modelo fundacional de robótica, o Skild Brain. Na Alemanha, a Neura Robotics levantou US$ 1,4 bilhão para seus robôs cognitivos, com infraestrutura de IA e dados.
O levantamento também mostra a velocidade com que o setor está produzindo novas empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão: cerca de 75 startups de robótica presentes no quadro de unicórnios do Crunchbase captaram recursos nos últimos três anos, e 45 delas entraram para a lista apenas em 2026.
O gargalo está nos dados, não no capital
Para Ulrik Stig Hansen, co-CEO da Encord, empresa de São Francisco que fornece a camada de dados para a IA física, o movimento ainda está no começo. Em declaração ao Crunchbase News durante a primeira edição do Long Horizon Physical AI Summit, em São Francisco, ele afirmou que “estamos apenas vendo a IA física decolar”. Segundo Hansen, construir para o mundo físico leva mais tempo do que treinar modelos de linguagem, porque não existe uma “internet de dados de IA física”: os dados precisam ser coletados e convertidos de sinais de sensores em ações, em conjuntos multimodais que combinam visão, tato, força e torque — um processo caro de armazenar, curar e validar.
Os números do Crunchbase refletem rodadas reportadas e podem ser revisados à medida que novos acordos entram na base de dados. Eles medem o apetite dos investidores, não a implantação em larga escala: captar capital é um passo anterior a provar que os robôs funcionam, em escala, nas fábricas, armazéns e residências.
Crédito da imagem: ilustração de Dom Guzman para o Crunchbase News. A imagem é ilustrativa e não mostra robôs das empresas citadas nesta matéria.
Fontes: Crunchbase News e Pivot News.
Transparência: esta matéria foi elaborada com auxílio de inteligência artificial, a partir do cruzamento de dados públicos do Crunchbase e de publicações na internet. Recomenda-se consultar as fontes originais para conferir os números e o contexto completo.
Muse