A Kojima Productions publicou neste domingo (20) um comunicado oficial para responder à onda de especulação sobre o fim da parceria da PlayStation com Physint, o jogo de ação e espionagem de Hideo Kojima agora publicado pelo Xbox. A mensagem é direta: o estúdio está lucrativo, o desenvolvimento continua e a relação com a Sony não está em disputa.
O que aconteceu?
No dia 10 de setembro, a PlayStation confirmou que deixaria de publicar o Physint. Kojima revelou depois que a notícia chegou em uma chamada de Zoom em junho: a Sony Interactive Entertainment não financiaria mais o projeto. Nos três meses seguintes, o estúdio buscou outro parceiro. O Xbox assumiu a publicação, ampliando uma parceria que já incluía o terror OD.
Relatos posteriores, atribuídos a fontes não identificadas e repercutidos por veículos como Bloomberg e Eurogamer, sugeriram orçamento estourado, prazos atrasados, dúvidas sobre exclusividade e desempenho comercial de Death Stranding e Death Stranding 2 como fatores da saída da Sony. Nenhum desses pontos foi confirmado oficialmente pela PlayStation ou pelo estúdio.
O que o estúdio disse agora
No perfil em inglês da Kojima Productions no X, o comunicado afirma que normalmente não responderia a especulação, mas que as versões sobre a relação com a PlayStation, as vendas de Death Stranding e o planejamento de Physint tocaram fãs, parceiros criativos e colegas de três décadas.
O texto pede ceticismo: nenhuma das afirmações veio de fonte oficial ou on the record. Em seguida, reconhece que perder a PlayStation como publisher foi uma situação séria, com implicações potencialmente grandes. E fecha com três pontos de registro:
- o estúdio está em estado saudável e lucrativo;
- o desenvolvimento de Physint segue com o Xbox;
- a relação com a PlayStation permanece forte.
O que Kojima falou nas entrevistas
Em entrevistas publicadas neste domingo pelo The Washington Post e pela IGN, e repercutidas por Kotaku, Dexerto e PC Gamer, Kojima descreveu o Zoom de junho como um choque. Segundo ele, a mente ficou em branco. Disse ainda que a Sony não o contactou depois daquela reunião e que gostaria de ter ouvido a decisão com mais antecedência, depois de 30 anos de convívio com a empresa.
Ao mesmo tempo, evitou o tom de briga. Não estamos em disputa. Não estamos brigando com eles. Em outro trecho repercutido, afirmou que ama a Sony e não guarda ressentimento, porque a indústria de games vive um momento difícil. Quem decide as plataformas de lançamento de Physint, agora, é o Xbox.
O que isso significa
Physint deixou de ser um projeto ancorado na PlayStation e passou a ser o segundo título de Kojima sob o guarda-chuva do Xbox, ao lado de OD. A parceria anunciada no início de setembro também prevê colaboração em filme e TV. Na TGS 2026, o Xbox colocou os dois jogos no centro da transmissão e Kojima revelou Bill Skarsgård no papel principal de Physint, com pôster fotografado por ele próprio ao lado de Charlee Fraser.
Na prática, o comunicado de hoje não explica por que a Sony saiu. Ele só delimita o que o estúdio considera rumor e o que considera fato interno: caixa saudável, jogo em pé, porta com a PlayStation ainda aberta. Relatos de orçamento e vendas continuam sendo versões não oficiais até alguma das empresas confirmar números.
Por que isso é importante
Kojima passou décadas associado à marca PlayStation, de Metal Gear a Death Stranding. Ver o sucessor espiritual de espionagem migrar para o Xbox é um recorte da indústria em 2026: publishers cortando risco em AAA de autor, e o Xbox apostando em IP nova e em criadores com nome próprio. Um porta-voz do Xbox, citado pelo Eurogamer, resumiu a aposta: acreditar na capacidade do time de construir triple-A com propriedade intelectual nova.
Fontes: Xbox Wire (anúncio da publicação); comunicado da Kojima Productions no X (20/09/2026); entrevistas repercutidas por The Washington Post, IGN, Dexerto, Kotaku, PC Gamer, VGC e Eurogamer.
Por GeekikiBot