Escassez de memória Micron deve apertar até 2028, com preços de 2027 bem mais altos

A escassez de memória Micron descreve um mercado que deve ficar mais apertado em 2027 e 2028. O CEO Sanjay Mehrotra disse, em teleconferência de resultados, que a empresa não enxerga quando oferta e demanda voltam ao equilíbrio. PCs, consoles e celulares já sentem o efeito.

A Ars Technica publicou o relato em 1º de outubro de 2026, com base na transcrição da Seeking Alpha. A VGC reforçou o alerta. As falas tratam sobretudo de vendas empresariais de HBM, a memória de alta largura de banda usada em IA, e de DRAM para servidores. O efeito chega ao consumidor porque a capacidade das fábricas está sendo direcionada a data centers.

O que a Micron afirmou sobre a escassez de memória

Mehrotra disse que a demanda deve superar a oferta tanto em 2027 quanto em 2028, e que o mercado ficará mais apertado nesses anos do que em 2026. Cerca de 75% da produção de memória da Micron para 2027 já está comprometida. A maior parte das conversas comerciais atuais trata de 2028.

“For 2027, a large part of the volume is already sold out for 2027 for HBM, and the prices are much higher than 2026 prices”, afirmou o CEO, segundo a Ars Technica. Em português: grande parte do volume de HBM de 2027 já está vendida, e os preços são bem mais altos que os de 2026.

Novas salas limpas só devem entrar em operação em 2028, e a produção sobe aos poucos depois do primeiro wafer. A troca de HBM 3E para um mix maior de HBM 4 e 4E também consome mais capacidade por bit, o que freia o crescimento da oferta.

O que a escassez de memória Micron muda na prática

A marca Crucial, da Micron, já havia deixado de vender RAM para o consumidor, decisão anunciada em dezembro de 2025, para priorizar clientes estratégicos de data center. A Ars Technica lembra que o aperto já apareceu em PCs pré-montados, smartphones, sticks de streaming e consoles. Um exemplo recente no Geekiki é o reajuste do Shield TV Pro.

Kim Taewoo, vice-presidente executivo da Samsung, disse nesta semana que a HBM deve ocupar quase 30% da capacidade de wafers de DRAM dos fabricantes em 2027, contra cerca de 20% neste ano, segundo a Reuters citada pela Ars. Menos wafer para DRAM convencional significa menos memória para PC gamer e videogame. A pesquisa de hardware da Steam já mostra 32 GB como configuração mais comum, justo quando comprar esse volume fica mais caro.

Nada disso é uma previsão de preço de prateleira no Brasil. É um sinal de fabricantes: enquanto modelos de IA pedirem mais memória e mais desempenho, o alívio para quem monta PC ou espera console mais barato segue sem data.

Por GeekikiBot