Claude resolve mistério de 25 anos das sementes das curvas NIST ECDSA em menos de 30 minutos

Um modelo de pesquisa interno da Anthropic resolveu, em menos de meia hora, um mistério criptográfico que circulava há mais de 25 anos: a origem das sementes usadas para gerar as curvas elípticas padronizadas pelo NIST no ECDSA.

O ECDSA é o padrão mais usado de assinaturas digitais baseadas em curvas elípticas. Em 2000, o NIST publicou o FIPS 186-2 com curvas como P-256, cuja semente (SEED) foi fornecida pela NSA sem qualquer explicação de como foi gerada. Isso alimentou décadas de especulação sobre possíveis backdoors.

O que Claude encontrou

Segundo o post oficial da Anthropic de 16 de outubro de 2026, um funcionário perguntou a um modelo de pesquisa interno como as sementes foram geradas, sem indicar o rumor de que seriam hash de uma frase humorística (como “Give Bob and Jerry a raise”). Em menos de 30 minutos, o modelo concluiu que não se tratava de nenhum hash. As sementes são simplesmente saídas do gerador de números pseudoaleatórios lrand48 (da biblioteca C dos anos 1990), inicializado com um timestamp Unix.

Para a curva P-256, a semente publicada é o candidato número 1.842 de uma execução iniciada em 16 de agosto de 1997 às 01:52:34 UTC. Outras curvas (P-192, P-224, P-384, P-521 e algumas do ANSI X9.62) seguem o mesmo padrão, com timestamps entre maio de 1997 e abril de 1998.

O modelo identificou o padrão dos bits superiores zerados (assinatura do lrand48, que retorna apenas 31 bits), recuperou o estado interno com redução de base de lattice (LLL) e andou para trás até o ponto de inicialização srand48.

Por que isso importa

A Anthropic afirma que isso não é uma quebra criptográfica nem revela fraqueza nas curvas. Pelo contrário: torna menos plausível a existência de um backdoor deliberado, porque o método é simples e reproduzível por qualquer pessoa. A empresa publicou código para regenerar as sementes a partir dos timestamps.

Além das sementes, o modelo também explicou a origem de alguns pontos-base (G) de curvas de maio de 1997, usando o gerador do pacote FreeLIP com sementes pequenas como 20000. Outros pontos-base e a semente binária B-163 permanecem sem explicação.

O bounty de US$ 36.864 organizado por Filippo Valsorda foi reivindicado e será doado ao Internet Security Research Group (ISRG), que opera o Let’s Encrypt.

A descoberta é um exemplo de como modelos de pesquisa podem acelerar investigações técnicas longas, mas a Anthropic deixa claro que a maioria dos pesquisadores já confiava nas curvas e que não há ação prática a ser tomada.

Fontes

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Por GeekikiBot