UFMG inaugura supercomputador Soberano para mapear o Brasil com IA

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) inaugurou, em 27 de outubro de 2026, o supercomputador Soberano, no campus Pampulha, em Belo Horizonte. O equipamento, instalado no Instituto de Geociências (IGC), é a peça central de um projeto que usa inteligência artificial para acelerar a produção de mapas detalhados do território brasileiro.

O Soberano integra o projeto GeoIDE, cujo nome completo é Extração de Geoinformação com o Uso de Inteligência Artificial para Aplicações Duais: Defesa e Ambiente. A UFMG executa o projeto em parceria com o Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Diretoria de Serviço Geográfico do Exército Brasileiro. A aquisição ocorreu no âmbito da chamada Centros Temáticos da Finep, de 2023.

O que o Soberano consegue processar

Segundo a UFMG, o sistema reúne um servidor com oito aceleradores NVIDIA H200, cada um com 141 gigabytes de memória, além de dez nós de processamento, cada um com 256 núcleos e 768 gigabytes de memória. O armazenamento paralelo é de cerca de 400 terabytes, e a rede interna alcança 100 gigabits por segundo. Todo o conjunto foi projetado, instalado e configurado por equipes brasileiras.

Na mesma inauguração, a universidade apresentou a câmera hiperespectral Hyper-Cam Mini XLW, instalada na Escola de Engenharia. O equipamento captura dados de luz em centenas de faixas estreitas do espectro eletromagnético e pode apoiar pesquisas de sensoriamento remoto.

Por que o mapeamento precisa acelerar

Apenas 8% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do Brasil estão mapeados na escala 1:25.000, usada no planejamento municipal, na gestão de bacias hidrográficas, na prevenção de desastres, na aplicação do Código Florestal, na defesa do território e no planejamento de infraestrutura. O objetivo do GeoIDE é automatizar a extração de informação geográfica a partir de imagens de satélite, radar, drones e sensores hiperespectrais, acelerando a produção dessas cartas em todos os biomas.

Para a coordenadora do projeto, professora Sônia Carvalho, do Departamento de Cartografia do IGC, cobrir o país com a cartografia tradicional levaria décadas, o que torna necessária uma mudança no método de produção. Os equipamentos terão uso compartilhado entre pesquisadores e instituições parceiras.

Para que os mapas vão servir

Entre as aplicações citadas pela UFMG estão o combate ao desmatamento e à mineração ilegal, o monitoramento ambiental, o planejamento de respostas a inundações e deslizamentos, a vigilância de fronteiras e o planejamento estratégico militar. A expectativa é que os resultados também contribuam para políticas públicas e para a gestão dos recursos naturais.

A diretora do IGC, Úrsula Ruchkys de Azevedo, afirmou que o nome Soberano simboliza a ambição de fortalecer a capacidade brasileira de produzir ciência e encontrar respostas para desafios do país. A leitura da universidade é que a geoinformação é estratégica porque envolve fronteiras, recursos naturais, cidades e biomas — e, por isso, o conhecimento sobre o território não deveria depender apenas de plataformas estrangeiras.

Crédito da imagem: Raphaella Dias | UFMG, durante a cerimônia de inauguração dos novos equipamentos.

Fontes

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