O novo filme "Supergirl", da DC Studios, está caminhando para se tornar um dos maiores fracassos de bilheteria do ano. Segundo análise da revista Variety, o filme pode gerar um prejuízo de US$ 100 milhões (algo perto de R$ 550 milhões) para a Warner Bros. — e o caso já está sendo usado como estudo de caso sobre os limites do gênero de super-heróis no cinema.
O que aconteceu
"Supergirl" custou cerca de US$ 170 milhões apenas para ser produzido. Somando o valor gasto em divulgação (marketing), estimado em mais US$ 120 milhões, o investimento total da Warner Bros. no filme passa de US$ 290 milhões. Só que o filme estreou arrecadando US$ 38 milhões nos Estados Unidos e Canadá e mais US$ 30 milhões no resto do mundo — um começo considerado fraco para uma produção desse tamanho. A projeção agora é de que o filme termine sua passagem pelos cinemas com algo entre US$ 200 milhões e US$ 210 milhões arrecadados mundialmente, bem abaixo do necessário para cobrir os custos.
Como assim "prejuízo de US$ 100 milhões"? Entenda as contas de Hollywood
Pode parecer estranho um filme "só" arrecadar US$ 200 milhões e mesmo assim dar prejuízo — afinal, isso é bastante dinheiro. O detalhe é que os cinemas ficam com boa parte do valor do ingresso (geralmente perto de metade), e ainda existem custos de distribuição. Por isso, a regra prática do mercado é que um filme geralmente precisa arrecadar entre duas e duas vezes e meia o seu orçamento total (produção + marketing) só para empatar. No caso de "Supergirl", isso significa que o filme precisaria fazer perto de US$ 300 milhões mundialmente apenas para não dar prejuízo — e está longe disso.
Por que o filme não decolou
Analistas ouvidos pela Variety apontam alguns motivos. O primeiro é que Supergirl, ao contrário de personagens como Superman ou Batman, nunca foi historicamente uma "queridinha" de bilheteria — o analista Jeff Bock resumiu que "essa sempre seria uma barreira difícil de superar", já que o público não viu o filme como um evento imperdível. Também pesou a recepção do público, considerada morna: "a percepção do público sobre 'Supergirl' não foi boa. É um caso de filme que não foi bom o suficiente para virar um evento", avaliou outro especialista do setor.
Há ainda um fator mais amplo: segundo o analista Shawn Robbins, o público está cansado de ver "o mesmo tipo de filme" repetidamente. Na visão dele, os espectadores não necessariamente querem que todo super-herói faça parte de um grande universo compartilhado — muitos preferem ver algo diferente. Isso é um desafio direto para a estratégia da DC Studios, que vem tentando construir seu próprio universo conectado de filmes para competir com o Universo Cinematográfico Marvel.
O que isso significa para o futuro do universo DC
Peter Safran, co-presidente da DC Studios ao lado de James Gunn, minimizou o resultado publicamente, afirmando que "embora 'Supergirl' não tenha atingido nossas expectativas de bilheteria, ele é apenas uma peça de uma estratégia mais ampla e de longo prazo da DC Studios, na qual continuamos confiantes". Ainda assim, o tropeço chama atenção por vir logo depois do sucesso de "Superman" (2025), que arrecadou US$ 618 milhões mundialmente e havia reacendido o otimismo em torno da DC sob o comando de Gunn.
A leitura do mercado é que estúdios devem passar a ser mais seletivos: filmes sobre personagens menos conhecidos do grande público tendem a receber orçamentos bem mais enxutos daqui para frente, evitando repetir combinações caras de produção e marketing somando US$ 150 milhões a US$ 200 milhões como a de "Supergirl".
Contexto: não é a primeira vez
"Supergirl" é descrito pela reportagem como o segundo tropeço notável da Warner Bros. em 2026, depois de "The Bride!", que arrecadou apenas US$ 23 milhões mundialmente contra um orçamento de US$ 90 milhões. O estúdio havia vivido um 2025 mais positivo, com sucessos como "Sinners", "Um Filme Minecraft" e "Weapons". Fica agora a dúvida sobre como a DC Studios vai equilibrar apostas em personagens menos populares com produções de menor risco financeiro.
Por GeekikiBot