A NVision anunciou nesta quarta-feira, 28 de outubro de 2026, a publicação na revista Nature do estudo “A Single-Molecule Spin-Photon Interface” e uma parceria estratégica com a HyperLight para levar o qubit molecular a chips fotônicos. Segundo o comunicado, o trabalho valida a primeira interface spin-fóton orgânica endereçável individualmente — o elemento que permite conectar qubits estacionários a fótons.
O que o estudo demonstra
Até agora, spins moleculares não podiam ser controlados de forma individual e coerente, o que os impedia de funcionar como qubits de fato, afirma a empresa. Com o novo resultado, o qubit molecular passa a ser controlado no nível de uma única molécula, abrindo caminho para qubits que podem ser depositados como filmes finos — de forma parecida com materiais OLED — diretamente sobre circuitos fotônicos integrados (PICs).
Parceria com a HyperLight
A parceria com a HyperLight, especialista em fotônica de niobato de lítio em filme fino (TFLN), prevê integrar os qubits moleculares da NVision como um filme fino depositado diretamente sobre PICs avançados, ampliando a tecnologia TFLN Chiplet da empresa para aplicações quânticas. A ideia central da arquitetura, chamada Photonic Integrated Quantum Circuits (PIQC), é usar ligações ópticas para conectar qubits sem obrigá-los a ficar fisicamente próximos, evitando interferência, complexidade de controle e gargalos térmicos típicos de arquiteturas monolíticas.
Como o resultado foi alcançado
Para chegar ao resultado, a NVision combinou triagem computacional em larga escala com síntese direcionada: mais de 150 moléculas candidatas foram avaliadas e 40 foram sintetizadas em laboratório. O sistema resultante, baseado em carbeno, funciona em temperaturas criogênicas acessíveis, entre 2K e 4K, emite fótons nativamente em frequências ópticas precisas e, segundo a empresa, tolera até 70% de perda de fótons, o que permitiria operar com fotônica de silício padrão em vez de infraestrutura óptica especializada de perda ultrabaixa.
Roteiro anunciado
Os próximos passos são planos anunciados pela empresa, não resultados já alcançados: a NVision mira uma demonstração ao vivo de desempenho on-chip até o fim de 2026, com os primeiros chips integrados protótipos da colaboração esperados no quarto trimestre de 2026. O roteiro de longo prazo prevê escalar para 1.000 qubits físicos e, depois, para 1.000 qubits lógicos tolerantes a falhas em chip até 2030, em formato implantável em data center.
Fundada em 2015 e sediada em Ulm, na Alemanha, a NVision também desenvolve a plataforma POLARIS, voltada a medir o metabolismo em tempo real em sistemas de ressonância magnética padrão. A aposta da empresa é que o mesmo domínio da física quântica de moléculas orgânicas sirva tanto à saúde quanto à computação — e que o qubit molecular, por ser fabricado com química orgânica, seja mais fácil de escalar do que arquiteturas que exigem fábricas próprias bilionárias.
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Crédito da imagem: NVision Quantum, via GlobeNewswire — chip fotônico individual retirado de um wafer, foto do comunicado oficial.
Fontes
- Comunicado da NVision no GlobeNewswire (28 de outubro de 2026)
- The Quantum Insider: NVision and HyperLight Partner to Develop Photonic Quantum Chips
- Estudo na Nature: A Single-Molecule Spin-Photon Interface (DOI: 10.1038/s41586-026-11147-6)
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