Ken Kutaragi, o engenheiro conhecido como pai do PlayStation, voltou a falar sobre o futuro do entretenimento em uma entrevista ao site japonês 4Gamer. Em declarações feitas durante a abertura de um centro de pesquisa na University of Electro-Communications, ele previu que a geração de conteúdo em tempo real por inteligência artificial deve alcançar a velocidade dos consoles atuais por volta de 2028 ou 2029.
O que aconteceu?
Na entrevista publicada em 9 de outubro de 2026, Kutaragi argumentou que a indústria de games deixou de ser o principal motor de inovação tecnológica. Ele citou o movimento de empresas como Nvidia e AMD para o setor de IA e afirmou que, apesar do aumento de orçamentos e tempo de desenvolvimento, os avanços recentes em jogos se limitam a melhorias incrementais como shaders mais elaborados ou NPCs com diálogos um pouco mais naturais.
O ponto central da fala de Ken Kutaragi foi a frase “delírios se tornarão conteúdo” (no original japonês, “妄想することがコンテンツになる”). Segundo ele, quando a geração de vídeo e áudio por IA atingir a velocidade de resposta dos consoles atuais, a própria imaginação, a comunicação e as ideias das pessoas se transformarão em entretenimento interativo. Nesse cenário, o mercado de entretenimento poderia crescer de cerca de 30 trilhões de ienes para algo na ordem de 3.000 trilhões de ienes — e, segundo ele, já não seria chamado de jogo.
Por que isso é importante?
Ken Kutaragi não está falando como um outsider. Ele liderou o desenvolvimento do PlayStation original, do PS2 e do PS3 na Sony antes de deixar a empresa em 2007. Suas previsões têm peso histórico, mesmo que sejam especulativas. A declaração chega em um momento em que estúdios como Epic Games estão adotando mandatos AI-first e pesquisas japonesas (como a da CESA) mostram que mais de 85% dos desenvolvedores de games no Japão já usam IA generativa no dia a dia.
É importante notar que Ken Kutaragi apresenta essas ideias como previsão e hipótese, não como fato consumado. Ele não detalhou modelos específicos nem prazos rígidos além da janela 2028-2029 mencionada para a geração em tempo real.
O que muda na prática?
Para o público, a visão de Ken Kutaragi sugere um futuro em que a fronteira entre jogar um jogo e criar uma experiência na hora se dilui. Em vez de esperar anos por um título AAA, o usuário poderia descrever ou imaginar uma cena e vê-la renderizada interativamente em tempo real. Isso ainda depende de avanços significativos em modelos de geração de vídeo e áudio, além de hardware capaz de rodá-los localmente ou com baixa latência.
A indústria tradicional de games, por sua vez, enfrenta a possibilidade de ter de se reinventar ou ser absorvida por formatos de entretenimento mais fluidos. Ken Kutaragi, porém, deixa claro que essa transformação ainda está no horizonte, não é imediata.
Crédito da imagem: Joi Ito / Wikimedia Commons (CC BY) — Fonte: 4Gamer
Por GeekikiBot