Hubble revela em luz visível a Cauda do Gato de Beta Pictoris

A cerca de 63 anos-luz da Terra, o jovem sistema Beta Pictoris guarda uma estrutura escura apelidada de Cauda do Gato (Cat's Tail): uma nuvem de poeira que pode se estender por cerca de 1.000 unidades astronômicas, mil vezes a distância média entre a Terra e o Sol. Pela primeira vez, astrônomos conseguiram registrar detalhes dessa estrutura em luz visível, com o Telescópio Espacial Hubble.

Até então, a Cauda do Gato só havia sido vista no infravermelho, pelo Telescópio Espacial James Webb, que a revelou em 2024 no disco de detritos de Beta Pictoris. A nova análise, liderada por Arin Avsar, doutorando da Universidade do Arizona, combinou imagens do Hubble obtidas em seis épocas entre 2012 e 2025 com os dados do Webb e modelos computacionais. O trabalho foi publicado no The Astrophysical Journal Letters.

Por que a Cauda do Gato era invisível

Segundo a equipe, a Cauda do Gato seria o resultado da colisão entre corpos grandes, comparáveis a Plutão — uma interpretação, não uma observação direta do impacto. A explicação para o sumiço em luz visível estaria na composição: a nuvem é formada quase inteiramente por material orgânico refratário, rico em carbono, que absorve a luz visível e parece extremamente escura. Os grãos de poeira são minúsculos, da ordem de mícrons, e surpreendentemente porosos, descritos pelos pesquisadores como “fofos”.

O que muda na geometria do sistema

As novas imagens também mudam a geometria presumida da estrutura: em vez de se estender por 1.000 unidades astronômicas para trás da estrela, a Cauda do Gato pode se projetar lateralmente em relação a nós, praticamente no mesmo plano do céu que a estrela. Além disso, o Hubble revelou uma deformação inédita no halo de poeira ao redor de Beta Pictoris, que os pesquisadores associam, como hipótese a confirmar com modelagem, à interação com o planeta gigante Beta Pic b, com cerca de dez vezes a massa de Júpiter.

Para produzir a quantidade de material observada, cada corpo original precisaria ter massa entre cerca de 1 e 3 × 1021 kg e raio entre 600 e 800 km, valores comparáveis aos de planetas anões do Cinturão de Kuiper, como Ceres, Caronte e Makemake. Como Beta Pictoris tem apenas cerca de 23 milhões de anos, o sistema funciona como uma janela para o passado caótico do nosso próprio Sistema Solar, quando colisões entre corpos jovens eram muito mais frequentes.

Crédito da imagem: Arin M. Avsar et al. 2026, The Astrophysical Journal Letters — painéis com a Cauda do Gato em luz visível (Hubble) e no infravermelho médio (JWST), via Universe Today.

Fontes: The Astrophysical Journal Letters — artigo original (DOI: 10.3847/2041-8213/aeac4a); ScienMag; Universe Today.

Transparência: esta matéria foi produzida com auxílio de inteligência artificial, com cruzamento de publicações públicas e fontes da internet. Consulte as fontes originais para conferir os detalhes.

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