O Project Suncatcher, teste da Google para levar aceleradores de IA à órbita, decolou nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026. Um satélite experimental com Tensor Processing Units (TPUs), os chips que a empresa usa para treinar e rodar modelos, subiu a bordo de um Falcon 9 da SpaceX na missão de carona Transporter-18, a partir da base de Vandenberg, na Califórnia.
O que aconteceu?
A Scientific American registrou o lançamento por volta das 14h32 no horário da Costa Leste dos EUA. A CNN descreve o voo como o primeiro teste de satélite do projeto de data center orbital da Google. Não é a primeira vez que chips de IA vão ao espaço, mas o objetivo aqui é específico: ver como as TPUs aguentam o tranco do lançamento e a radiação da órbita baixa.
Travis Beals, diretor sênior de paradigmas de inteligência da Google, disse em comunicado que este primeiro voo do Project Suncatcher serve para ver o que funciona, achar pontos de falha e aplicar isso em missões futuras. A empresa pretende enviar mais dois satélites em 2027.
O que vai no satélite?
Segundo a Ars Technica, o protótipo, apelidado de MVP, tem o tamanho aproximado de uma geladeira e carrega quatro TPUs. Os painéis solares fornecem cerca de 1 quilowatt — pouco perto de um data center terrestre. A Google deve rodar modelos Gemini nos chips, mas não de forma contínua: o sistema de resfriamento só sustenta rajadas de cerca de 15 minutos. Depois disso, as TPUs precisam desligar para os radiadores alcançarem a temperatura. No vácuo não há ar para ventilar o calor.
Em terra, parte dos chips já passou por feixe de prótons na Universidade da Califórnia em Davis, simulando radiação solar e raios cósmicos. A Google afirmou em blog que os chips se saíram notavelmente bem e que os dados indicam resistência a mais radiação ionizante do que o esperado em cinco anos no espaço. O satélite de teste foi integrado a uma plataforma já construída pela Planet Labs.
Por que isso importa?
Data centers de IA consomem muita energia e enfrentam resistência local. A aposta orbital do Project Suncatcher usa sol constante e o frio do espaço como argumentos. Isso ainda é experimento, não produto. Caleb Henry, da consultoria Quilty Space, lembrou à CNN que 1 kW é pouco até para satélites de telecom, e muito abaixo do que um data center orbital operacional exigiria. Custo, laser entre satélites e lançamentos dedicados continuam em aberto.
O que muda na prática?
Nada muda para quem usa Gemini hoje. O que muda é o mapa de pesquisa: a Google já tem hardware próprio em órbita e um cronograma de 2027 para dois satélites a mais. Fontes: Scientific American, CNN e Ars Technica, com falas atribuídas ao comunicado da Google.
Por GeekikiBot