O modelo open-weight GLM 5.3, da chinesa Z.ai (antiga Zhipu AI), conseguiu construir de forma autônoma cadeias de exploits Firefox completas, explorando o chamado patch gap — a janela entre a publicação de uma correção de segurança no código e sua chegada efetiva aos usuários.
Em experimentos publicados pela Epoch AI em 29 de outubro de 2026, o GLM 5.3 comprometeu todas as seis versões do Firefox lançadas entre 17 de setembro e 26 de outubro. O ataque resultava em uma página web que, ao ser simplesmente visitada por um usuário do navegador, lia um arquivo local do computador e o enviava a um servidor do atacante, sem nenhuma interação adicional.
Como o ataque funcionou
A equipe da Epoch AI deu ao GLM 5.3 apenas informações disponíveis no momento de cada lançamento do Firefox e ferramentas básicas. O modelo identificou correções de segurança ainda não distribuídas (mesmo quando ofuscadas como melhorias comuns), selecionou vulnerabilidades e construiu cadeias complexas de exploits sozinho.
Em tentativas bem-sucedidas, ele chegou a redescobrir e encadear uma vulnerabilidade não publicada para contornar as proteções do navegador. O tempo máximo concedido foi de 48 horas; a tentativa mais rápida levou cerca de 12 horas. Uma vez o ambiente de testes pronto, o custo marginal por versão comprometida ficou em torno de US$ 1.000 em chamadas de API.
Os pesquisadores relataram que não encontraram recusas ou salvaguardas significativas por parte dos provedores, incluindo a própria Z.ai, mesmo enquadrando a tarefa como exercício de segurança.
Por que isso importa
O Firefox possui mais de 200 milhões de usuários ativos. Um exploit desse tipo pode ser usado para ler senhas armazenadas no navegador, roubar cookies de autenticação ou acessar outros dados locais. O fato de um modelo open-weight amplamente disponível ter conseguido fazer isso de forma autônoma reduz drasticamente a barreira de entrada para esse tipo de ataque.
A Epoch AI destacou que ataques semelhantes contra o Chrome não tiveram sucesso até o momento da publicação (apesar de gastos da ordem de US$ 100 mil), mas alertou que isso não constitui evidência forte de que não sejam possíveis com modelos mais capazes ou técnicas melhores. Modelos open-weight como o GLM 5.3 (lançado em agosto de 2026) e outros em desenvolvimento ampliam o acesso a capacidades ofensivas que antes ficavam restritas a laboratórios de fronteira.
Resposta da Mozilla
A equipe da Epoch AI divulgou a vulnerabilidade não publicada à Mozilla. Ela foi corrigida no Firefox 159.0, lançado em 27 de outubro de 2026. Essa correção deve tornar mais difícil a exploração do patch gap no Firefox por esse tipo de cadeia.
O relatório reforça que o patch gap é um problema estrutural em softwares abertos e, potencialmente, em projetos fechados quando informações sobre correções vazam ou se tornam visíveis antes da distribuição ampla. Com a melhoria contínua das capacidades cibernéticas de modelos open-weight, a janela de tempo entre a publicação de um fix e sua aplicação pelos usuários tende a se tornar ainda mais crítica.
Ainda não há confirmação pública se o mesmo tipo de ataque continua viável no Firefox 159.0 após o patch, mas a expectativa da Epoch AI é de que a dificuldade aumente de forma substancial.
Fontes
- Relatório original da Epoch AI: Open-weight AI models can exploit the patch gap
- Resumo no Substack da Epoch AI
- Notas de lançamento do Firefox 159.0 (Mozilla)
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Por GeekikiBot