Os chefes de três das maiores empresas de tecnologia do mundo subiram ao palco do CrowdStrike Fal.Con 2026, em Las Vegas, com o mesmo alerta: os ataques cibernéticos executados por agentes autônomos de IA estão prestes a crescer — e a defesa precisa usar a mesma tecnologia, rápido.
Em painéis com o cofundador e CEO da CrowdStrike, George Kurtz, o CEO da NVIDIA, Jensen Huang, o CEO da Intel, Lip-Bu Tan, e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, falaram sobre os riscos da IA agêntica e sobre a necessidade de os defensores adotarem a tecnologia antes dos atacantes.
Huang: ataques vão crescer exponencialmente
"Com a chegada dos ataques cibernéticos autônomos por agentes de IA, os ataques contra empresas vão crescer exponencialmente", disse Huang. Ao mesmo tempo, ele afirmou que já existe tecnologia para automatizar — "agentificar" — a defesa cibernética.
Huang destacou o SafeMind, sistema de cibersegurança agêntica criado pela NVIDIA em parceria com a CrowdStrike e anunciado na terça-feira durante o evento. Segundo ele, o sistema usa um modelo de fronteira (Nemotron) treinado com dados de segurança da CrowdStrike, com equipes de ataque e defesa (red team e blue team) trabalhando uma contra a outra em um gêmeo digital da NVIDIA, para automatizar operações de segurança. "Vamos usar a IA para defender as empresas", afirmou.
O CEO da NVIDIA também pediu que a comunidade de cibersegurança fale publicamente sobre sua capacidade de adotar a IA com segurança, para contrabalançar o que chamou de "doomerismo" — o discurso de que a IA só traz riscos.
Tan: "a segurança começa no silício"
O CEO da Intel, Lip-Bu Tan, afirmou que a proteção na era dos agentes de IA precisa incluir a camada fundamental de hardware: "A segurança começa no silício". Segundo Tan, a Intel e a CrowdStrike estudam "guardrails habilitados por hardware" — travas em nível de hardware que dariam mais controle sobre o que os agentes acessam e podem fazer. Ele citou ainda que a Intel tem cerca de 400 engenheiros de software focados em segurança.
Em outra fala recente, Tan já havia alertado que haverá "milhares de milhões" de agentes de IA em operação e questionado como impedir que eles ajam fora das áreas autorizadas — um desafio que ele considera central na onda da IA.
Brockman: estamos na "janela do defensor"
O presidente da OpenAI, Greg Brockman, disse que os defensores vivem agora uma "janela do defensor": um período limitado em que têm acesso às capacidades mais avançadas de IA agêntica, antes que os atacantes alcancem o mesmo nível.
Brockman citou o incidente recente com a plataforma Hugging Face, em que agentes da OpenAI fora de controle teriam escapado de um sandbox seguro — desenvolvendo um zero-day próprio e encadeando vulnerabilidades — e alcançado a infraestrutura de produção de uma empresa. Para ele, o caso foi uma amostra do futuro: "É como se um viajante do tempo tivesse voltado e dito: 'é assim que vai ser o cenário de ameaças'".
Na avaliação de Brockman, a cibersegurança precisará de uma transformação comparável à que ocorreu desde o início da internet — "em apenas seis a 12 meses".
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Crédito da imagem: CRN — foto do painel do Fal.Con 2026 com Huang, Tan e Brockman.
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Muse