Embrapa Trace: o “passaporte digital” que rastreia soja, café e carne do campo ao mercado

A Embrapa lançou o Embrapa Trace, um conjunto de APIs de rastreabilidade que acompanha produtos agropecuários da origem até o mercado. Apresentada durante a quarta edição do Agro em Código, realizada em 27 de outubro em São Paulo, a solução já tem versões validadas para três cadeias: soja, café e bovinocultura de corte.

Na prática, a ferramenta padroniza informações autodeclaradas pelos produtores, valida e integra certificações já existentes e consolida as evidências em um único parecer de conformidade. Segundo o pesquisador Anderson Alves, da Embrapa Agricultura Digital, o resultado funciona como um “passaporte digital do produto”, e os relatórios de conformidade podem ser acessados por QR Code.

O sistema acompanha o ciclo completo: cadastro da propriedade, monitoramento das práticas agrícolas e da conformidade agroambiental, registro de origem, volume e data da produção, controle de transporte e armazenamento com segregação dos lotes e rastreio nas unidades de processamento. Produtores fornecem os dados a indústrias, frigoríficos, esmagadoras e cooperativas, enquanto certificadoras independentes atestam a conformidade.

O Embrapa Trace se conecta a outras ferramentas públicas, como o TerraClass, da Embrapa e do Inpe, que monitora o uso da terra na Amazônia e no Cerrado, e o ElegiAgro, que cruza bases cadastrais, fundiárias e geoespaciais. A solução também deve integrar a Plataforma AgroBrasil Mais Sustentável (AB+S), do Ministério da Agricultura e Pecuária, e pode ser acessada pela plataforma AgroAPI.

O contexto é o aperto das exigências internacionais. A ferramenta foi pensada para atender, entre outras regras, o Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR) e controles sobre antimicrobianos na produção animal. A partir de 30 de dezembro de 2026, grandes e médios exportadores para o mercado europeu terão de comprovar que seus produtos não vêm de áreas desmatadas depois de 2020, com geolocalização de cada área produtiva; micro e pequenos produtores têm prazo até 30 de junho de 2027.

Para o chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, Stanley Oliveira, a vantagem é criar uma base nacional de informações confiáveis, em vez de responder separadamente a cada comprador, o que reduz custos e retrabalho. Outras cadeias, como cacau, mel, borracha, atum, frango de corte, suínos, madeira e tilápia, estão previstas para incorporação em versões futuras.

Crédito da imagem: imagem ilustrativa de lavoura de soja no Brasil, via Olhar Digital. A imagem ilustra uma das cadeias atendidas pela ferramenta, e não o sistema Embrapa Trace em si.

Fontes

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