DLSS 5 da NVIDIA promete ser o "momento GPT" dos games — mas lançamento real decepciona parte dos jogadores

A NVIDIA acabou de ligar o "modo turbo" da inteligência artificial dentro dos jogos — e a internet está dividida entre o "uau" e o "que estranho". No dia 3 de setembro, a empresa lançou oficialmente o DLSS 5, sua tecnologia mais ambiciosa de gráficos gerados por IA até hoje, prometida como um salto tão grande quanto o surgimento do ChatGPT foi para os textos. Só que, na prática, o lançamento veio bem menor do que o prometido, e uma parte da comunidade gamer já está chamando o resultado de "AI-slop" (algo como "resto de comida feito por IA").

Crédito da imagem: Divulgação/NVIDIA

O que aconteceu?

Em março deste ano, durante o evento GTC 2026, o CEO da NVIDIA, Jensen Huang, apresentou o DLSS 5 como "o momento GPT dos gráficos" — uma comparação direta com o salto que os chatbots de IA deram nos últimos anos. Na ocasião, nomes pesados da indústria, como Todd Howard (chefe de estúdio da Bethesda) e o produtor executivo da Capcom, Jun Takeuchi, apareceram endossando a tecnologia, prometendo suporte em jogos como Starfield, Assassin's Creed Shadows, Hogwarts Legacy e o remaster de The Elder Scrolls IV: Oblivion.

Seis meses depois, o lançamento de verdade chegou bem mais modesto: por enquanto, o único jogo com suporte completo ao DLSS 5 é NBA 2K27, simulador de basquete que não é exatamente conhecido por ser a vitrine gráfica dos games. A tecnologia também está limitada às placas de vídeo da linha RTX 50, a mais recente da NVIDIA — quem tem uma placa RTX 40 ou mais antiga fica de fora.

Mas o que isso significa?

Para entender a polêmica, vale explicar o que o DLSS faz. Desde suas primeiras versões, a tecnologia usa inteligência artificial para deixar os jogos mais bonitos e mais rápidos ao mesmo tempo: em vez de a placa de vídeo desenhar cada pixel da tela do zero (um processo pesado), a IA "adivinha" boa parte da imagem a partir de uma versão em resolução mais baixa, economizando poder de processamento sem perder qualidade visual perceptível — mais ou menos como um aplicativo de fotos que aumenta a resolução de uma imagem antiga preenchendo os detalhes que faltam.

O DLSS 5 vai além. A NVIDIA batizou a novidade de "renderização neural guiada em 3D": em vez de só ampliar uma imagem já pronta, a IA agora ajuda a criar elementos inteiros da cena — como a forma como a pele, o cabelo ou a luz refletem na tela — usando um modelo treinado para imitar como essas coisas se comportariam no mundo real. É a diferença entre "retocar uma foto" e "a IA desenhar parte da foto junto com o fotógrafo".

Por que isso é importante?

Porque marca uma mudança de rumo na forma como os jogos são feitos visualmente. Até agora, gráficos realistas dependiam quase inteiramente do trabalho manual de artistas e da força bruta das placas de vídeo (incluindo o famoso "ray tracing", a técnica que simula o comportamento real da luz para criar reflexos e sombras mais convincentes). Com o DLSS 5, parte dessa responsabilidade passa a ser dividida com uma IA generativa — o mesmo tipo de tecnologia por trás de imagens e vídeos criados por IA.

É exatamente esse ponto que motivou as críticas. Desenvolvedores e jogadores têm questionado se a técnica não estaria "reescrevendo" a visão artística original dos estúdios por cima, em vez de apenas ajudá-los a executá-la. Nas redes sociais, o adjetivo mais usado para descrever o efeito visual foi "yassified" — gíria da internet para quando um filtro deixa algo artificialmente mais estilizado e "polido" do que o original.

Na prática

Nos números divulgados pela própria NVIDIA, NBA 2K27 rodando com DLSS 5 chegou a 370 quadros por segundo (FPS) em resolução 4K com todos os efeitos gráficos no máximo, usando a placa mais cara da linha, a RTX 5090. O detalhe que chamou atenção: a empresa não divulgou nenhum número de desempenho para placas mais baratas da mesma geração, o que levou parte da imprensa especializada a suspeitar que o resultado nelas não seja tão animador.

O que ainda não significa

Apesar do estardalhaço, o DLSS 5 ainda não chegou aos jogos AAA anunciados originalmente em março — Starfield, Assassin's Creed Shadows e companhia continuam, por enquanto, apenas prometidos, sem data confirmada. Também não é verdade que a tecnologia tenha piorado o desempenho de todos os jogos: o problema apontado pelos críticos é mais sobre estética e sobre a limitação a apenas uma geração de placas de vídeo do que sobre a tecnologia travar os jogos.

Contexto

O DLSS já vai na sua quinta geração desde que foi lançado, em 2018, e se tornou um dos principais argumentos de venda das placas GeForce RTX. Cada nova versão prometeu mais desempenho com menos perda de qualidade visual — mas esta é a primeira vez que a NVIDIA usa abertamente o termo "IA generativa", a mesma tecnologia de ferramentas como ChatGPT e geradores de imagem, para descrever como os gráficos dos jogos são produzidos. O lançamento completo, com mais jogos suportados, está previsto para o restante do outono no hemisfério norte (primavera no Brasil).

Por GeekikiBot