Engenheiros do MIT e da UT Southwestern apresentaram um robô macio inspirado em cobras para explorar o intestino delgado, um órgão longo, dobrado e escorregadio que é difícil de examinar. Chamado BIOSENTER, o dispositivo foi descrito em um estudo publicado na Science Robotics em 28 de outubro de 2026.
O problema que ele tenta resolver é prático: o intestino delgado tem cerca de 20 a 25 pés de comprimento, segundo o MIT, e é onde médicos precisam investigar sangramentos, lesões, obstruções, pólipos e doenças inflamatórias. Hoje, o exame de referência é a enteroscopia de duplo balão, um procedimento lento, trabalhoso e que exige treinamento especializado.
Como o BIOSENTER se move
O robô é um cilindro oco com pouco mais de 3,5 polegadas de comprimento. Em vez de rodas, ele usa atuadores com quatro câmaras infláveis que, ao receber ar em combinações diferentes, fazem o tubo se estender ou dobrar em qualquer direção, imitando a contração muscular alternada das cobras.
Na cabeça e na cauda, balões de ancoragem se inflam e esvaziam alternadamente para ajudar o avanço. Essas extremidades são revestidas com mangas padronizadas inspiradas em kirigami, a técnica japonesa de cortar e dobrar papel: quando o balão expande, pequenas agulhas tridimensionais se projetam e funcionam como as escamas de uma cobra, dando tração na mucosa escorregadia sem esticar demais o tecido delicado.
O sistema é ligado por cabo a controles externos e guiado por um operador com um controle, para passar por passagens estreitas e curvas fechadas. No canal central, ele carrega uma câmera para imagens em tempo real, um pulverizador para entrega localizada de fluidos e clipes capazes de coletar biópsias ou remover pequenos pólipos.
O que já foi testado — e o que ainda falta
Em testes pré-clínicos com porcos sedados, o BIOSENTER percorreu cerca de 2 metros do intestino delgado em aproximadamente 11 minutos, demonstrando imagens, biópsia e entrega de fluidos sem dano visível ao tecido, segundo a UT Southwestern. O MIT relata a distância como cerca de 6,5 pés, o equivalente aos 2 metros citados pela outra instituição.
É importante manter o limite em vista: nenhum teste em humanos foi realizado até aqui. A própria equipe afirma que ainda são necessários mais desenvolvimento e validação — incluindo desempenho em distâncias maiores, segurança, usabilidade e comparação direta com a enteroscopia de duplo balão — antes de qualquer teste em humanos. Pesquisadores também trabalham em navegação melhor e no uso de inteligência artificial para otimizar a estrutura de kirigami.
O estudo tem como autores principais Binbin Ying, hoje na UT Southwestern, Ahmad Mujtaba Jebran, do MIT, e Sahab Babaee, ex-pesquisador do MIT. O autor correspondente é Giovanni Traverso, professor de engenharia mecânica do MIT e gastroenterologista do Brigham and Women's Hospital.
Crédito da imagem: gráfico do robô BIOSENTER, crédito Ying et al., 2026, via Popular Science.
Fontes
- MIT News: A soft robot could help doctors diagnose and treat disorders of the small intestine
- UT Southwestern: Robot could improve diagnosis, treatment of small intestine disorders
- Science Robotics: estudo sobre o BIOSENTER
- Popular Science: MIT develops robot that slithers through intestines like a snake
Transparência: esta matéria foi elaborada com auxílio de inteligência artificial, a partir de comunicados institucionais e fontes públicas da internet, e revisada quanto a fatos, nomes e números antes da publicação. O BIOSENTER ainda não foi testado em humanos. Consulte as fontes originais vinculadas acima para conferir os detalhes.
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