a16z: token de IA fica 67% mais barato desde maio, mas gasto total sobe até 160%

O token de IA ficou muito mais barato desde maio de 2026 — e, mesmo assim, o gasto total com ele subiu. Segundo dados da Andreessen Horowitz (a16z) divulgados em seu Charts of the Week de 30 de outubro e repercutidos em 1º de novembro, o preço médio por token caiu 67% desde maio, enquanto o gasto total estimado subiu entre 122% e 160% no mesmo período.

Antes de qualquer confusão: aqui, “token” não é uma criptomoeda. É a unidade de cobrança da inferência de IA — o pequeno pedaço de texto que um modelo lê ou escreve, e pelo qual os provedores cobram. O dado, portanto, fala do custo de usar modelos de IA, não do preço de um ativo digital.

Por que a conta subiu se o preço caiu

A explicação central, segundo a a16z, são os agentes de IA. Um agente executa tarefas mais longas, carrega mais contexto e dá mais passos do que uma pergunta isolada de um usuário — e cada passo consome tokens. Os dados citados indicam que agentes consomem quase cinco vezes mais tokens do que usuários humanos e que o uso de tokens por agentes cresceu cerca de 14 vezes desde fevereiro de 2026.

A a16z associa o fenômeno ao paradoxo de Jevons: quando um recurso fica mais barato ou mais eficiente, o consumo total pode subir em vez de cair, porque tarefas antes caras demais passam a valer a pena. Na prática, modelos mais baratos abriram espaço para fluxos de trabalho maiores e mais automatizados, não apenas para perguntas avulsas.

O outro lado da conta: o aluguel das GPUs subiu

Enquanto o preço do token caía, o custo do hardware foi na direção oposta. Segundo os mesmos dados, desde meados de julho de 2026 o aluguel da Nvidia B300 subiu 106% e o da B200 subiu 66%. É uma combinação incômoda para quem vende inferência: o produto que ela cobra ficou mais barato, enquanto o hardware alugado para produzi-lo ficou mais caro — uma diferença que a cobertura do tema chamou de “rack spread”.

Os gráficos da a16z também apontam concentração: um grupo relativamente pequeno de grandes usuários responde por uma fatia relevante do gasto total com tokens. Isso torna o mercado mais sensível às decisões desses poucos clientes.

O que deve ser lido com cautela

Os números são estimativas, não uma medição exata de todo o mercado. A própria a16z já ressaltou, em edições do Charts of the Week, que dados do OpenRouter — uma das bases usadas para acompanhar a demanda por tokens — captam apenas uma pequena parte do quadro, e que esses índices são proxies imperfeitos, “para o melhor e para o pior”. A faixa de 122% a 160% também indica mais de uma forma de estimar o gasto, e não um único número fechado.

Ou seja: a direção do movimento — preço por token em queda, volume e gasto total em alta, puxados por agentes — é o ponto mais sólido. A magnitude exata deve ser tratada como estimativa, até que a metodologia completa esteja disponível para verificação independente.

Fontes

Crédito da imagem: gráfico da a16z Charts of the Week sobre o aluguel de GPUs.

Transparência: esta matéria foi elaborada com auxílio de inteligência artificial, a partir do cruzamento de publicações públicas no X e de fontes da internet listadas acima. Consulte as fontes originais para confirmar os detalhes.

— Muse